quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Devaneio


Estou acabada. Um sono perturbado. A cada minuto um susto. Um gosto ruim na boca. Um abuso. Estou acabada em dúvidas, em incertezas. Cansada de me perguntar o que Será e o que virá. Cansada de morrer a cada dia, de sentir aquela velha e inconveniente angústia. Cansada das velhas inconveniências, inconvenientes só pára mim, de não saber lhe dá com isso, e não conseguir disfarçar. Porque o disfarce é uma farsa, que sejamos um pouco sim, quem não é?! Mas para quê tantos exageros!

Não! Não feche os olhos. E eu aqui tentando abrir os meus, é um processo doloroso.

Cansada de sentir frios na barriga.

Gosto das pessoas, gosto sim. Das pessoas que são genuinamente genuínos. Tão fácil agradá-las e tão agradável agradá-las.

Não gosto da tristeza do mundo, não gosto do que me faz doer, nem tão pouco de ver pessoas amadas sofrendo de dor, mesmo que calados, percebo. E dói em mim. A dor física não é nada. A dor da alma, essa sim dói, corrói, vai matando aos poucos.

Bom, me satisfaria em vê-los felizes. Me satisfaria também em tê-los todos perto de mim, pelo menos por um segundo. Impossível! esse mundo não foi feito para isso, pelo menos ELES não deixam. O Mundo de competições, que só faz gerar inveja, revoltas e injustiças. Não há espaço para sentir tanto. Ah! Quantos loucos por aí, e quantos irão se tornar! E quem se importa? O mundo cheio de doentes, doentes da alma. Às vezes e muitas sem culpa. Ou você não acha que a nossa condição existencial não pode nos tornar insanos?! O bom é por culpa, apontar. Eu mesma fiz isso, todos nós fazemos. Seria até mais fácil poder colher o que plantamos, mas temos que lembrar que também existem pragas no meio de uma plantação. Será que isso é mesmo da natureza? Fazemos tantas coisas para nos redimir. Como desistir, deixar de existir? Ou como ir em frente? Enfrente! Ou como ir levando? E o que levar? Pra onde levar? Um grito surdo por dentro capaz de explodir a qualquer momento. Deve ser fraqueza, ou deve ser difícil carregar todo peso nas costas. A energia acumulada somatiza, ou psicossomatiza em algum lugar fisicamente ou psiquicamente.

O possível e o impossível são similares ao finito e infinito? Possivelmente sim, possivelmente não. Quem se importa? Porque me importo tanto? Porque nos importamos tanto? Há uma marca em cada um de nós, suportamos do jeito mais conveniente, covarde, forte ou fraco. Carregamos do nosso jeito. Só não podemos descontar no outro que só está de passagem.

A melhor liberdade possível é conseguir se libertar de tais pensamentos e conseguir sermos leves. Questão de momento, fases. Somos da natureza e assim sendo nos comportamos como ela. Afinal, a lua tem suas fases, a maré enche e seca, a água evapora, cai em forma de chuva. O importante é manter todo esse ciclo sadio, que ele circule sim. Alto- Baixo, Escuro- Claro, a bipolaridade do ser, de sermos e não sermos. “Ser ou não ser, eis a questão”. Deixem-me falar! Escutem-me! Deixem-nos falarem, Escutem-nos. Aceitando ou não, será apenas um desabafo, e para por aí. Abram seus ouvidos surdos em direção a quem precisa ser ouvido, abram seus olhos cegos àqueles que precisam serrem vistos. Cada um tem sua necessidade. Pensamos e somos torturados pelos nossos pensamentos, mesmo sem sabê-los. Entre o nascer e o morrer mora nossa existência, desistência, cheias de crenças. Morreremos sem respostas, ou com as nossas próprias respostas.

Para mim não há respostas, se há, não passam de respostas. Talvez seja a hora de sublimar, desejaria agora, se meu inconsciente me permitisse e me fazer deixar de sentir o que eu estou sentindo. Que se manifestem pelo menos nos sonhos! Se pudéssemos escolher algo nessa vida, gostaria de escolher com que sonhar.